2 de novembro de 2011

Água na boca


Graças a novas pesquisas, a sabedoria convencional de quando e o que beber está evoluindo; saiba o que vem mudando e as recomendações que ainda permanecem as mesmas

Por Vanessa de Sá

Se há uma re­co­men­da­ção que ho­je pa­re­ce in­contes­tá­vel é: beba água. Ela é a subs­tân­cia mais abun­dan­te em nosso cor­po. Só pa­ra que se tenha uma ideia, dos 3,6 kg, peso médio de um re­cém- nascido, 2,7 kg são água. E ela não apenas ajuda a man­ter a forma das células, sendo uma das mais importantes unidades estruturais do organismo. Todas as reações químicas que ocorrem a todo instante dentro do nosso corpo acontecem em meio aquoso.
Mas como saber o quanto precisamos de fato? Será que todo mundo necessita mesmo ingerir 2 litros por dia? "Os 2 litros são baseados em cálculos aproximados de quanto um adulto gasta em funções como a respiração, só para citar um exemplo. Mas tudo depende, também, da diurese, ou seja, se você faz muito ou pouco xixi, da taxa de transpiração – algumas pessoas perdem muita água pe­lo suor –, do metabolismo, do nível
de condicionamento físico e até do clima", explica Ricardo Munir Nahas, diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.
De acordo com Cláudio Novelli, especialista em Fisiologia do Exercício pela Unifesp, São Paulo, a conta foi feita para o sedentário padrão em um ambiente termoneutro, ou seja, no qual a tem­­peratura é controlada. "Em outras palavras, para um adulto que se mexe muito pouco durante um dia fresco, a quantidade mínima de líquido que deve ser ingerida é de 2 litros."

Beba quando sentir sede
Se havia uma recomendação que não deixava dúvidas, era a de que você deveria tomar água antes de sentir sede, pois ela é sinal de que o corpo já desidratou. Mas, em 2006, o mundo parece ter vindo abaixo. Foi quando a IMMDA, a associação internacional dos diretores médicos de maratonas, lançou um documento que dizia basicamente o seguinte: "Beba quando estiver com sede. Se não é o caso, tente se abster de beber. Não se sinta compelido a ingerir líquidos a cada posto de hidratação nem siga o que outros corredores estão fazendo. A necessidade de fluidos varia de pessoa a pessoa." Foi o que bastou para que parte da comunidade médica botasse a boca no trombone contra essa advertência.
O fato é que evidências científicas vêm mostrando que a sede, na verdade, protege os atletas dos perigos de beber de menos ou de mais e dá um feeback em tempo real do balanço interno de fluidos. "O ser humano bebe para proteger o ambiente interno, não para garantir que não se perca peso durante a atividade física. Se ele o fizer de acordo com a sede, tomará segundo o modo com o qual o corpo humano e o de todos os outros animais foi projetado. Deveríamos orientar os animais a beberem antes de terem sede? Eles parecem ter sobrevivido muito bem seguindo os sinais que a evolução colocou em seus corpos", explicou à SPORT LIFE Timothy Noakes, professor de ciência do exercício da Universidade de Cape Town, África do Sul, um dos maiores especialistas do mundo em hidratação e autor do livro Lore of Running, considerado uma espécie de Bíblia do esporte. "O homem evoluiu como um beberrão que está em atraso. Isso nos deu uma vantagem biológica: nossos ancestrais podiam caçar em condições áridas sem terem de beber a cada poucos minutos. Como levava entre 4 e 6 horas para caçar um antílope em temperaturas altas, tivemos de aprender a ser capazes de 
correr aquele tanto sem beber muito. Por isso, evoluímos para atrasar a nossa necessidade de beber até o jantar, quando podíamos corrigir todas as perdas do dia."


Veja matéria completa: Sport Life

Um comentário:

Jorge disse...

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Valeu Claudinha por compartilhar conosco essa informação valiosíssimas e vamos nos hidratar.
Bons treinos,

Jorge Cerqueira
www.jmaratona.com