29 de abril de 2009

E por falar em corrida...

Segundo matéria publicada no jornal Estado de São Paulo, em 26 de Abril, a Corpore, associação de corredores sem fins lucrativos com sede em São Paulo, contava com 227 mil corredores cadastrados no final de 2008, um crescimento de 24,7% em relação a 2007 e 26 vezes maior do que o número registrado em 1997.

Muito de vocês estão acompanhando artigos e reportagens na grande imprensa sobre os benefícios e malefícios da corridas de rua, principalmente das maratonas, cujo risco é de uma morte para cada 50 mil participantes, em função de problemas cardíacos. É importante frisar que os atletas devem acompanhar toda a sua parte médica. E, se ainda não o fizeram, deveriam, para avaliar em que condicões se encontram. Técnica e saúde devem estar em sincronia quando o assunto é maratona. E quando falamos em maratonas, falamos de um universo de pessoas que, ao longo de alguns anos, vieram evoluindo em seus treinamentos, ganhando base aeróbica, força e eficiência muscular, além de outras qualidades físicas essenciais num trabalho de corrida e que os tornam capazes de percorrer 42 km.

Falar que correr 42 km de forma ininterrupta é algo saudável, talvez não seja a coisa mais correta. O treino é extremamente extenuante, talvez mais do que a própria prova, algo que talvez precise ser mais bem analisado. O desgaste articular de trabalharmos grandes volumes precisa ser muito bem dosado e repensado para atletas que adotam a corrida como filosofia de vida e que escolhem a maratona como ponto culminante da sua carreira amadora. E, não podemos negar, que temos durante a prova em sobrecarga cardiovascular. Ou seja, o risco existe! Mas, o risco é muito maior para pessoa sedentária.

A sobrecarga cardíaca pode ser monitorada com exames e testes. E durante o treinamento, podemos saber exatamente a intensidade mais propícia e saudável para que a prova não seja extremamente extenuante ou acima do que você deveria fazer para não correr riscos. E como avaliar quem fica parado?

Segundo a Organização Mundial de Saúde 2 milhões de pessoas morrem anualmente por conta do sedentarismo, que causa, entre outros problemas, entre 10% e 16% dos casos de câncer de mama, colón de útero e diabetes, além de dobrar o risco de sofrer doença cardiovascular.
Todos os estudos são muito produtivos para a área do pedestrianismo, pois uma área em grande crescimento necessita de embasamento técnico-científico. Mas precisamos sempre entender as amostras que nos são apresentadas e suas proporções. Considerando todos os riscos da maratona, ficar em casa é muito menos saudável e gera muito mais doenças.

Acredito que com o bom senso no treinamento, que respeite as intensidades e volumes adequados, e uma bateria de exames anuais, pois existem alterações clínicas de um ano para o outro, você estará mais seguro para encarar um esforço maior. Risco sempre existe! É bom estar bem monitorado e bem assessorado, não esquecendo é claro que primeiramente precisamos de um médico de confiança e um profissional de Educação Física.

por Prof°Carlos Martins - Profissional de Educação Física - Cref1: 020827-G/RJ

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