7 de março de 2009

Vamos deixar de correr assustados

Hoje fiz um treino relativamente leve de 14 km com algumas subidas e descidas, porém por volta do décimo km senti uma fisgada no peito e logo fiquei assustada! Não foi nada, apenas respiração errada! Como tirei recentemente o aparelho dos dentes após longos 4 anos, ainda não me acustumei e tenho respirado pela boca...

Por isso e após ler a matéria Mau exemplo? no Blog Just Run , resolvi postar partes do artigo da jornalista Shannon Brownlee publicado no início do ano passado.

Quando a dor é um sinal de uma doença ou lesão? Quais o sinais que o nosso corpo apresenta? Será que devemos parar de correr sempre que nosso corpo apresentar qualquer tipo de dor? São inúmeros os questionamentos, e por isso devemos ficar alertas, mas também ter noção dos nossos hábitos e organismo aliados a experiência para assim sabermos se é a hora de procurarmos o auxílio médico. Vejam abaixo alguns trechos do artigo:

Eu me senti um pouco sem fôlego outro dia, subindo uma colina. Uma ponta de preocupação alojou-se por instantes em minha mente. Aos 50 e poucos anos de idade, estou numa forma bastante satisfatória. Não fumo. Caminho vários quilômetros quase todos os dias, e ainda consigo vencer minha amiga de 40 e tantos no tênis. Não sou exatamente uma candidata a um ataque cardíaco. Mas ainda assim, tenho ouvido todas essas histórias de mulheres como eu - as sem nenhum fator de risco de doenças do coração -, que foram subitamente atingidas por um ataque cardíaco.

Talvez você tenha tido as mesmas preocupações - imaginado se alguma fisgadinha era azia ou um ataque, se aquela horrível dor de cabeça era causada por tensão ou por um derrame. Quase todo o mundo que conheço que atingiu a meia-idade gasta uma certa quantidade de tempo preocupando-se com esse ou aquele distúrbio.

Mas a maioria dos meus amigos e eu, como a maioria dos americanos de meia-idade, somos uma turma bastante saudável. Se eu perguntasse a meus amigos quanto tempo eles planejam viver, aposto que responderiam como muitos entrevistados de uma recente pesquisa da UPI, que concluiu que a maioria dos americanos acredita que passará dos 80 anos. Não é que temamos correr um perigo iminente de morte, mas achamos que precisamos estar hipervigilantes em relação às doenças para postergá-las ao máximo.

É isso que me preocupa. Por estar constantemente lembrando que devemos estar sempre à espreita de possíveis doenças, os médicos e a mídia têm feito muitos se sentirem mais aflitos. Não tenho certeza se essas advertências têm nos tornado mais saudáveis, mas decididamente têm arruinado nossa sensação de bem-estar. A gente se preocupa com qualquer dorzinha ou mal-estar.

Há manchetes como essa, da revista Forbes: "Sintomas médicos que você não deve ignorar." Já o livro Body Signs: From Warning Signs to False Alarms… How to Be Your Own Diagnostic Detective (Sinais emitidos pelo organismo: De sinais de advertência a alarmes Falsos… Como ser seu próprio detetive de diagnóstico), por exemplo, é um compêndio de sintomas que vão desde pele seca a soluços em excesso - tudo pode sinalizar doenças graves. A missão expressa da obra: "alertá-lo, adverti-lo, talvez até assustá-lo para que você vá ao médico."

Não pretendo monitorar meu colesterol, indubitavelmente, para a consternação do meu médico. Por que me incomodar? Já estou vigiando meu peso, exercito-me regularmente e alimento-me de forma saudável. Não quero tomar medicamentos que oferecem pouca proteção - se alguma - contra ataques cardíacos para pessoas cujo único fator de risco é o colesterol elevado. Se na noite passada eu não consegui dormir oito horas, sempre posso recuperar nesta noite. Meus ossos terão de simplesmente se esfarelar tranqüilamente por conta própria, porque não tenho a mínima intenção de tomar um medicamento cujos benefícios são incertos e cujos riscos são muito reais.

E quanto à ansiedade? Acho que vou cuidar disso desligando a conversa assustadora dos médicos.

*Shannon Brownlee é jornalista e autora do livro Overtreated: Why Too Much Medicine Is Making Us Sicker and Poorer. Partes do artigo originalmente publicado pelo jornal The Washington Post.


2 comentários:

Jorge disse...

ÓTIMO RELATO CLÁUDINHA, AGORA É SÓ PEGAR O ESQUEMA DE RESPIRAR DIREITO E VOAR NAS PISTAS, ALIÁS VC JÁ ESTÁ VOANDO.

Bjsss

JC

Cláudia disse...

Obrigado, Jorge! Mas, quanto a voar ainda vai levar um tempo, muita dedicação e bastante treino...

Abraços!